quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Vão-se os anéis, ficam os dedos!

Nunca este provérbio foi tão adequado à minha vida.

Não vou falar da crise...estejam descansados! De todo.

Imaginem que ontem fui lanchar com os miúdos a casa da minha amiga Juliette. Sim, quarta-feira significa que as escolas estão fechadas e há que entreter a miudagem todo o dia.

Estava um tempo simpático, estivemos no jardim a conversar e os miúdos a jardinar (apanharam maçãs, cortaram a relva, arrancaram as ervas daninhas, etc.). Um cenário muito agradável que acabou para mim numa noite de grande enervamento.

Por volta das seis da tarde, regressei a casa e comecei a achar que o anelar esquerdo estava ligeiramente inchado. Como estava com a aliança e um anel que o Mathias me ofereceu quando nasceu o Sébastien em ouro, muito largo e pesado, comecei a tentar tirar a bijuteria...

Puxa aqui, puxa acoli e nada. E claro, o dedo cada vez mais inchado.
 
Eram 7 h da tarde, pensei: - vou meter a mão num alguidar com água e pedras de gelo até o dedo voltar ao normal. Qual quê! Cada vez mais inchado, a palma da mão também já gorda e os dedos de cada lado com o dobro do tamanho.

Já algo enervada, comecei a pôr óleo de amêndoas doces e a tentar rodar. Dores horríveis e os anéis cada vez mais presos à minha carne.

Fomos ver à internet e diziam para pôr o braço para cima. Lá estive horas de braço para cima e tudo na mesma. Depois pensei: - vou tomar duas aspirinas, o sangue fica mais líquido e a coisa resolve-se...nem pensar.

À meia-noite, com dores horríveis e já a pensar que me iriam ter de cortar a mão, telefonei para os bombeiros. Só vos digo que explicar esta situação, foi no mínimo hilariante!

Mandaram-me para o hospital para tomar um medicamento para desinchar. E onde fica o hospital? Em Amiens Norte, ou seja, no meio daquela maralha toda que põe fogo a tudo e a todos.

Como alguém tinha de ficar com os miúdos, e não estava para ir sózinha, toca de tomar dois Valdisperts na esperança de adormecer. De manhã cedo, quem sabe se o dedo não estaria normal?!

Mas nada de dormir, os nervos apoderaram-se de mim, pedi ao Mathias que fosse à garagem buscar um alicate para tentar rebentar com tudo. O inchaço era tanto, que o alicate não entrava sequer ...

4h da manhã e estava à beira da loucura, com a mão num estado deplorável, e a cabeça a 1000 à hora.

Armei-me em prática e disse: - que se lixem os tumultos, vou-me vestir e vou mesmo para o hospital. 7.º graus lá fora, enfiei qualquer coisa, écharpe, casaco, meias, dei uma penteadela e lá fui sózinha à procura do hospital.

Graças a Deus, é a norte, mas não no famoso "quartier nord". Fui directa às urgências e era a única paciente em espera, pelo que entrei logo para a triagem. Dois enfermeiros novinhos lá me colocaram as questões da praxe e disseram: Madame, a única solução é cortar os anéis!

Estas palavras foram um bálsamo. Lá voltaram com uma geringonça com uma serra, que enfiaram entre os anéis e os dedos e começaram a dar à manivela. Que sorte ser ouro, diziam! É dos metais mais maleáveis!!!

Toca de rodar, rodar, até que o anel se abriu. Só que abrir não resolvia nada, era preciso afastar cada um dos lados. E a dor que isso provocava...cruzes.

Madame, vamos ter de cortar também a aliança de casamento, sob pena de não conseguirmos resolver isto. Mais umas maniveladas, e tac cai a aliança no chão, aberta em dois e toda "desfigurada"...

Seguimos para o anelão, que levou mais dois cortes até ser possível tirá-lo.

O dedo estava uma miséria e os anéis...nem se fala.

Fiquei mais 15 minutos de repouso para o dedo desinchar, ainda fui vista por uma médica e voltei para casa com os restos dos anéis num saquinho de plástico. Eram 5h e tal da manhã e caí redonda na cama.

Hoje o dedo continua uma batatona. Devo ter sido picada por uma aranha ou outro bicho, dizem.

Não sei, nem saberei. O que sei bem é que não tenho aliança e o meu querido anel está despedaçado à espera de ir para Lisboa para ser reconstruído.

Mas lá está: vão-se os anéis, ficam os dedos!!!

E, pensando na audiência do meu blogue, pedi à recepcionista do hospital que não tinha nada que fazer àquela hora, que fotografasse o meu 1.º momento no serviço nacional de saúde francês.

Tudo importalizado...e esta hem?!








Amiens, 20 de setembro de 2012

6 comentários:

  1. Pobre Guigó . Eu se fosse você teria ido direto ao hospital , mesmo que fosse no meio de uma favela brasileira . Sábado , levei uma queda da escada enquanto limpava os armários da cozinha . Sabes cada doido com sua mania , a minha é de limpeza . Resultado , uma costela trincada e um calcanhar torcido . Jurei nunca mais subir em uma escada . Beijos brasileiros .

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    1. Tem razão Lúcia Helena...mas quando se é novo, não se conhece nada e está um frio de rachar lá fora, as coisas mudam um pouco de figura. Mas fui muito bem tratada, não me posso queixar. Aliás, sempre fui bem tratada nos hospitais, centros de saúde, etc. Em Portugal ou no estrangeiro. Ou tenho sorte, ou não sou nada esquisita!

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  2. só tu pra pensar em fotografias numa altura dessas. Não existes! :-) As melhoras! beijo

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    1. As fotos nunca podem faltar! Já perdi a vergonha toda...estou a ficar velha!beijos

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  3. Como é possível!??!! Está ao nível daquela vez em que, por teres ido para o hospital com o nariz inchado, queriam prender o Mathias por violência doméstica :-)

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    1. É por aí, Sonette! Por acaso, quando estava lá em cima da marquesa, lembei-me de nós em Homburg a comer feijoada por conta do tinitus...que tempos!

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